
A semana tá daquelas. O Vô partiu. O Vô era meu primo, meu amigo, companheirão. Explico. Meu avô, o Anticão, italiano, faleceu de infarto do miocardio. E minha Vó ficou viúva com apenas 37 anos. Minha avó era linda de arregaçar. Continua bonita. Mas cês sacaram o que eu quis dizer, né? O Vô era primo de primeiro grau dela e tinha 15 anos a mais. Mas a tinha visto apenas duas vezes e tinha acabado de ficar viúvo também. Sua esposa havia morrido de câncer. O "vô, primo, amigo" era quinze anos mais velho que a vó, prima dele. O Vô era esperto. E resolveram se casar. Eu ainda não tinha nascido. Acabei vindo pra cá. E eu me sentia privilegiado por ter dois Vôs. Ia na casa da minhas tias italianas e elas me contavam histórias hilárias do Vô Anticão (Ariovaldo Antico, o vô Vadinho). Lembro que gostava de ir lá pra ficar ouvindo elas falarem dele. Ouvi tanta coisa dele, de tanta gente, que parecia que eu o conhecia muito bem. E o admirava. Meu pai contava, meus tios, a mãe, pessoas que eu encontrava na rua da cidade do interior, e que ainda falam. Os funcionários adoravam ele. Quando ele morreu todos pensaram que era algum tipo de piada, brincadeira que ele tava fazendo com a rapaziada. Ele era o maior figura, comprava um monte de rango e ficava fazendo serão com os caras, nos diversos setores da empresa dele. Depois ia jogar cartas e levava os que queriam fechar a noite e continuar o dia com ele . Ele era o tipo de cara que quando o carro parou na São João não pediu pra um coitado de rua ajudar não. Ele tava com o deputado Nesrala e disse: "Porra, Nesrala, desce e empurra lá. Vamos ver se pega no tranco". E detalhe: o carro não era do Nesrala. Vivia a vida a minhão. Morreu antes de completar 49 anos.
Mas aí eu tive outro Vô, o Vô Moacyr. Meu Brother. Foi a shows comigo. Andamos por Rio, São Paulo, interior, etc. Tomamos uíque, água de côco, caipirinha, cerveja, água mineral, comemos churrascos. Até o Pinduca que passou o natal em casa ano passado gostou do meu bom velhinho. Sempre me perguntava dele. Conversamos, rimos e tomamos vários uíscão com o Vô, né meu (também) bom amigo Pinduca? O Marcus, outro amigão, um irmão pra mim, queria até pegar um ônibus, já que perdeu a carteira por pontos, pra ver o Vô pela útlima vez. Ele pegou o maior bem com o Vô di cara. Ficaram amigos. E chamava o Vô de Vô também. Falei pra ele que o Vô descansou e choramos e rimos juntos pelo telefone. O Vô sabia ouvir. Sabia se divertir. Era aquele cara que "desarmava a bomba", as bombas bestas e mesquinhas, como o Mário tem a manha de desarmar, de desfazer. E por falar nisso, também tava conversando com ele (Mário) dias desses e ele me escreveu mandando seus sentimentos (muito obrigado, irmão), o quanto o Vô tava sofrendo no final. Vai em paz, Vô. Ele ia fazer 91 anos. Mas parecia que tinha uns vinte, cara. Por dentro. E nos olhos... Até o fim. Até o fim.
Até mais, Vôs. Os meus dois por parte de mãe.
E aí vai uma canção pra vocês dois que gostavam das coisas bonitas, coisas simples, da praia, do mar, das mulheres, das crianças, dos amigos. Coisas desse mundo. E souberam espalhar em "benefícios". Porra: muitos! Putaqopariu, seus canalhas!
Aqui, Vôs: http://www.youtube.com/watch?v=2NUdznkCZ74